quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Propina de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões foi paga ao PT, diz delator

O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco disse, em depoimento de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal  (MPF), em novembro do ano passado, que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recebeu propina em nome do partido em 90 contratos da Petrobras, num total entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões.  Em nota oficial, o partido reiterou que recebe apenas doações legais e que são declaradas à Justiça Eleitoral, e prometeu processar seus acusadores “pelas mentiras proferidas contra o PT”.

As declarações de Barusco foram divulgadas após decisão do juiz federal Sérgio Moro, que retirou sigilo das investigações da nona fase da Operação Lava Jato, iniciada hoje (5). Para estimar a quantia, o ex-gerente se baseou no valor que recebeu, US$ 50 milhões. Segundo ele, Vaccari começou a operar o esquema a partir do momento em que assumiu o cargo de tesoureiro do partido. Desde então - acusou - o tesoureiro foi responsável por operar os recebimentos por parte do PT.

Barusco  confirmou no depoimento que ele e  Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, entre 2003 e 2013, recebiam propina para facilitar que empresas assinassem contratos de grande porte com a empresa, como os da Refinaria Abreu e Lima  e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Sobre o depoimento de Barusco a assessoria de imprensa do PT divulgou nota oficial em que “reitera que o partido recebe apenas doações legais e que são declaradas à Justiça Eleitoral. As novas declarações de um ex-gerente da Petrobras, divulgadas hoje, seguem a mesma linha de outras feitas em processos de” delação premiada “e que têm como principal característica a tentativa de envolver o partido em acusações, mas não apresentam provas ou sequer indícios de irregularidades e, portanto, não merecem crédito. Os acusadores serão obrigados a responder na Justiça pelas mentiras proferidas contra o PT”.

O advogado de João Vaccari Neto, Luiz Flávio Borges D’Urso, também contestou as acusações de Barusco por meio de nota, e garantiu que sua condução coercitiva para prestar depoimento “entendeu-se desnecessária”, pois “bastaria intimá-lo” para que comparecesse ao juízo. Segundo a nota, Vaccari “há muito ansiava pela oportunidade de prestar os esclarecimentos que nesta data foram apresentados à Polícia Federal, para de forma cabal, demonstrar as inúmeras impropriedades publicadas pela imprensa nos últimos meses, envolvendo seu nome”.

A defesa do tesoureiro do PT reitera na nota que “o Partido dos Trabalhadores – PT, não tem caixa dois, nem conta no exterior, que não recebe doações em dinheiro e somente recebe contribuições legais ao partido, em absoluta conformidade com a Lei, sempre prestando as respectivas contas às autoridades competentes”.

O advogado de Vaccari garante que ele “permanece à disposição das autoridades, para prestar todos e quaisquer esclarecimentos, e que sua condução coercitiva, desta data, entendeu-se desnecessária, pois bastaria intimá-lo, que o Sr. Vaccari comparece e presta todas as informações solicitadas, colaborando com as investigações da operação” Lava Jato “, como sempre o fez”.

Barusco também  afirmou que a ex-presidenta da Petrobras, Graça Foster e Ildo Sauer, ambos ex-diretores da diretoria de Gás e Energia, não tinham conhecimento dos desvios porque "não tinha espaço para conversar isso" com eles.

O tesoureiro foi conduzido hoje pela manhã à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo para esclarecer a acusação de delatores de que atuava na cobrança de propina e de doações legais para o partido. Em nota divulgada no site do PT, Vaccari disse que todos os questionamentos dos delegados foram respondidos. "Todas as perguntas feitas pelo delegado foram esclarecidas. Respondi a tudo com transparência, lisura e total tranquilidade”, declarou.

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