terça-feira, 3 de junho de 2014

Vatenor de Oliveira comemora 40 anos de carreira com exposição na Pinacoteca Potiguar.

Exibindo vatenor_2008.jpgA recorrência dos cajus e cajueiros na obra de Vatenor soa como um pedido silencioso de socorro: arte em defesa do meio ambiente, desfigurado de suas feições originais.
A memória do menino criado no bairro de Igapó até hoje perdura na obra de Vatenor de Oliveira, caracterizada pela pintura de cajus e cajueiros típicos da vegetação nativa. O artista comemora 40 anos de carreira e expõe 80 obras, do seu acervo pessoal, na mostra Vatenor: cajus para todo lado, que será inaugurada nesta quinta-feira, 5, às 19h, na Pinacoteca Potiguar. Parte da coleção estará disponível à venda. Evento integra a programação Copa da Alegria, da SecultRN/FJA, que prevê uma série de eventos para todo o mês de junho.   
Esta exposição conta com trabalhos que mostram sua trajetória de 1974 a 2014, traduzindo 40 anos entre cores, linhas, curvas e retas, frutos de sua imaginação.  Tudo resultado de suas fantasias pictóricas às margens do Rio Potengi, sob grande influência dos cajueiros, seu brinquedo, alimento de seus sonhos em busca de suas contemplações.
Nascido em Natal em 1953, Vatenor se descobriu artisticamente em 1974, no Rio de Janeiro, onde residiu por 26 anos e pôde conviver com a grande efervescência artística manifestada nas décadas de 70 e 80. Nos anos de 1986 a 1988, morou em Nova York, participando de exposições coletivas e individuais. Participou de 35 exposições individuais no Brasil e no exterior.
“Fui fuzileiro naval, porém, resolvi trocar as armas pelos pincéis. Comecei a pintar na década de 70 e só depois foi que descobri, artisticamente falando, que eu era autodidata”, relata Vatenor. No final dos anos 80, viajou a Paris para realizar uma exposição na Galeria Debret.

O pintor dos cajus voltou a Natal acreditando que aqui poderia contribuir para o universo das artes plásticas. “A intuição não me traiu, chefiei o Núcleo de Artes Plásticas e o Departamento de Atividades Culturais da Capitania das Artes (Natal-RN) por nove anos”, assinala. Ele também dirigiu a Pinacoteca Potiguar, por cinco anos, e desempenhou outras funções administrativas ligadas à arte.  Atualmente, assessora o inventário do Acervo das Arte Visuais da Fundação José Augusto.
Para quem não entende a recorrência do tema na obra do artista, o jornalista Nelson Patriota fez referência, em 1996, ao trabalho do potiguar criado às margens do rio Potengi com uma declaração de amor à natureza e um pedido de socorro. “A luta pelo verde pressupõe o direito de apreciar o ambiente a ele indispensável. A pintura de Vatenor tem, assim, teor de um vaticínio severo: se negligenciarmos com o verde (vale dizer, com as dunas, os mares, as florestas, fauna e flora juntas) legaremos às gerações futuras uma paisagem mais próxima do mundo empoeirado e sufocante de ‘Blade Runner’ do que dos cajueiros e de sua brisa suave que sopra das telas de Vatenor”.
SERVIÇO: Exposição Vatenor, cajus para todo lado – Abertura: 05/06, às 19h. Pinacoteca Potiguar. Visitação: até 06 de julho, de terça a domingo, das 8h às 17h. Praça Sete de Setembro, s/n, Cidade Alta. Tel.: (84) 3211-7056.   

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